NOTÍCIAS

Quando as mulheres deixam de obedecer, a direita diz que elas votam mal

A disputa pelo espólio político de Jair Bolsonaro deixou de ser um assunto interno do bolsonarismo. Ela agora acontece em praça pública, com direito a vídeos, entrevistas, acusações e a tentativa de desqualificar as mulheres. Mas, não caiam nessa armadilha.

A briga entre Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro, as falas recentes do bolsonarista de Paulo Figueiredo e os ataques da extrema-direita às mulheres não são episódios isolados. Fazem parte da mesma estratégia de criar conflitos, colocar mulheres umas contra as outras e levantar cortinas de fumaça para esconder quem eles realmente são.

O episódio envolvendo Michelle escancarou uma lógica antiga e conhecida pelos bolsonaristas. Enquanto ela permanecia calada, era exaltada como a mulher “doce, recatada e religiosa”. Bastou ganhar protagonismo político para virar alvo dos próprios aliados. Paulo Figueiredo chegou a dizer que seu sucesso existia porque ela “nunca abria a boca para falar”. Ou seja: para eles, a mulher ideal é a que obedece. A que fala, disputa espaço e tem voz própria passa a ser um problema.

E o ataque não para aí. Quando pesquisas mostram que mulheres votam diferente da extrema-direita, eles não questionam seus candidatos. Questionam o voto feminino, porque na cabeça deles, se a mulher não vota como eles querem, então ela estaria votando errado. 

Essa não é uma polêmica qualquer. É um projeto político que tenta deslegitimar a participação das mulheres sempre que elas deixam o papel que lhes foi imposto.
Enquanto todo mundo discute brigas internas, declarações machistas e disputas por herança política, a verdadeira pauta fica escondida. Essa é a cortina de fumaça. O objetivo é desviar a atenção para que as pessoas não enxerguem quem eles realmente são.

Não caiam nessa estratégia. Quando tentam nos dividir, é porque têm medo da nossa força quando estamos juntas. Eles não governam pensando no povo. Governam pensando em manter poder, privilégios e controle. A família que o bolsonarismo realmente coloca em primeiro lugar nunca foi a sua. Sempre foi a deles.

COMPARTILHE