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Audiência na ALMG reúne comunidade surda e cobra do Estado garantia de acessibilidade em serviços públicos

Clayton José Silva Neto (vítima de discriminação linguística em Ibirité após ter consulta médica negada em posto de saúde e membro da Associação de Surdos de Betim – ASB), Lohanna (deputada estadual PV/MG), Júlia Maia de Carvalho (advogada da Sociedade de Surdos de Divinópolis, professora e escritora), Tamires Rocha Melo Vieira (assessora na Coordenadoria do Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Justiça de Promoção dos Direitos dos Idosos e das Pessoas com Deficiência – CAOIPCD), Antônio Campos de Abreu (presidente e cofundador da Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos), Gabriel Otávio Rocha Benfica (diretor social e cultural da Associação de Surdos de Contagem, pós-graduado em Direito Penal e Direito Trabalhista e tecnólogo em Defesa Médica Hospitalar), Gabriel Franca do Couto (coordenador de Articulação de Políticas – Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos, vice-presidente da Associação dos Surdos de Montes Claros, membro do Conselho Nacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência, mestre em Linguística, professor de libras da UFOP e pesquisador do GRUPES/UFSC)

A Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência da Assembleia Legislativa de Minas Gerais realizou, nesta quinta-feira (28/05), uma audiência pública para debater o atendimento às pessoas surdas nos serviços públicos do Estado, especialmente na área da saúde. A reunião foi solicitada pela deputada Lohanna (PV) após a denúncia de que um homem surdo, de 33 anos, teria sido impedido de realizar uma consulta em uma Unidade Básica de Saúde de Ibirité por falta de intérprete de Libras e pela ausência de um acompanhante responsável.

Durante a audiência, especialistas, representantes da comunidade surda e entidades ligadas à defesa dos direitos das pessoas com deficiência relataram diversas dificuldades enfrentadas no acesso aos serviços públicos em Minas Gerais. Entre as principais reclamações apresentadas estavam a ausência de intérpretes de Libras, a falta de preparo de profissionais para o atendimento inclusivo e situações de constrangimento e exclusão vividas pela população surda.

Foram apresentados encaminhamentos cobrando providências de diferentes órgãos do Estado para ampliar a acessibilidade e garantir os direitos da população surda. Entre os pedidos, estão a criação de protocolos e cartilhas de atendimento acessível nos serviços públicos, ampliação do diálogo da Secretaria de Educação com a comunidade surda sobre educação bilíngue e garantia de participação em espaços de decisão. Também foram solicitadas informações detalhadas à Secretaria de Saúde sobre atendimento em Libras, presença de intérpretes, acessibilidade em sistemas digitais, materiais informativos acessíveis e medidas para assegurar comunicação adequada e consentimento de pacientes surdos.

Os encaminhamentos ainda incluem pedidos ao DETRAN-MG para ampliar a oferta de provas com tradução em Libras e facilitar o acesso de pessoas surdas ao processo de obtenção da CNH, especialmente no interior do Estado. Também foi solicitado o envio das discussões da audiência ao Ministério Público de Minas Gerais para apuração sobre o cumprimento das políticas de acessibilidade e inclusão nos serviços públicos estaduais. Os requerimentos serão votados na próxima reunião da Comissão.

A audiência pública buscou garantir acessibilidade plena e protagonismo da comunidade surda no debate. A maior parte da mesa foi composta por pessoas surdas, permitindo que elas ocupassem o espaço de fala e participação. A proposta foi evitar que pessoas oralizadas falassem em nome da comunidade surda, garantindo que os participantes pudessem ser plenamente compreendidos e também acompanhar todas as discussões realizadas durante a audiência.

Ao final da audiência pública, foram apresentados os encaminhamentos para cobrar providências dos órgãos responsáveis e ampliar o debate sobre inclusão e acessibilidade no Estado, para que as demandas apresentadas pela comunidade surda contribuam para melhorias concretas no atendimento prestado à população.

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